Como ensinar criança autista a assoar o nariz: passo a passo com brincadeiras
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Como ensinar criança autista a assoar o nariz: passo a passo com brincadeiras

Se a dúvida é como ensinar criança autista a assoar o nariz, comece pelo sopro com a boca, passe para o sopro pelo nariz com brincadeiras e só depois junte o lenço, em passos curtos e com muita repetição. Assoar parece simples, mas exige controlar o ar, fechar a boca e tolerar o papel no rosto ao mesmo tempo.

É uma habilidade que muitas crianças, autistas ou não, demoram a aprender. A diferença no autismo costuma estar na sensibilidade ao toque e na dificuldade de imitar um movimento que acontece por dentro, que a criança não consegue ver.

Resumo rápido

  • O relatório do NCAEP (Universidade da Carolina do Norte, 2020) lista análise de tarefa, modelação, videomodelação, dicas e apoio visual entre as 28 práticas com evidência para pessoas autistas, e são elas que entram neste passo a passo.
  • A meta-análise de Ben-Sasson e colegas (Journal of Autism and Developmental Disorders, 2009) encontrou diferenças de modulação sensorial maiores em autistas do que em crianças com desenvolvimento típico, o que ajuda a explicar a recusa ao lenço no rosto.
  • O DSM-5-TR, da Associação Americana de Psiquiatria (2022), inclui a reação aumentada ou diminuída a estímulos sensoriais, como texturas, entre os critérios do autismo.
  • O Censo 2022 do IBGE, divulgado em 2025, contou 2,4 milhões de pessoas com diagnóstico de autismo no Brasil, 1,2% da população.
ilustração de mãe e filho em frente ao espelho do banheiro segurando lenços de papel, aprendendo a assoar o nariz

Por que é difícil para a criança autista assoar o nariz?

Assoar junta três habilidades. A primeira é controlar a respiração e mandar o ar só pelo nariz, com a boca fechada. A segunda é imitar, e o problema é que o movimento do ar não aparece: a criança vê você pôr o lenço no nariz, mas não vê o que acontece dentro.

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A terceira é sensorial. O papel encostando no rosto, a sensação do nariz sendo apertado e até o barulho do assoar podem incomodar muito uma criança com sensibilidade ao toque ou ao som, e ela passa a fugir do lenço antes mesmo de tentar.

Por isso a ordem de ensino importa, e começar direto pelo lenço costuma travar justamente na parte que mais incomoda, e a criança passa a associar o treino ao desconforto.

Quais brincadeiras ajudam a criança a aprender a soprar?

Antes de assoar, a criança precisa entender o que é soprar. Essas brincadeiras treinam o sopro pela boca e, depois, pelo nariz, e funcionam melhor quando viram parte do dia, como no banho ou depois do almoço.

  • Bolhas de sabão. Soprar o aro devagar ensina a controlar o ar.
  • Corrida de algodão. Duas bolinhas de algodão na mesa e uma linha de chegada. Quem sopra a sua até o fim primeiro ganha.
  • Canudo na água. Soprar com o canudo no copo e fazer bolhas mostra o ar, que deixa de ser invisível.
  • Vela de aniversário. Apagar a vela, sempre com um adulto segurando, é uma brincadeira que quase toda criança adora.
  • Espelho embaçado. Bem perto de um espelho frio, sopre pelo nariz com a boca fechada e mostre a marca que o ar deixou. Depois é a vez dela.
  • Papelzinho voando. Um pedaço pequeno de papel de seda na palma da mão, embaixo do nariz. Com a boca fechada, o sopro do nariz faz o papel voar.

As duas últimas são as mais importantes, porque treinam o ar saindo só pelo nariz. Se a criança não consegue manter a boca fechada, segure com delicadeza os lábios dela por um segundo, como parte da brincadeira, e solte logo.

ilustração de menino soprando uma bolinha de algodão na mesa da cozinha enquanto a mãe se diverte ao lado, brincadeira para ensinar a assoar o nariz

Como ensinar a assoar o nariz passo a passo?

Quando o sopro pelo nariz já sai, junte o lenço. A sequência abaixo divide a tarefa em partes, e a criança só avança quando o passo anterior está fácil. Use uma figura de cada passo, presa perto do espelho do banheiro.

  1. Pegue o lenço da caixa e abra com as duas mãos.
  2. Leve o lenço até o nariz, cobrindo as duas narinas sem apertar.
  3. Feche a boca.
  4. Sopre o ar pelo nariz, como na brincadeira do espelho.
  5. Aperte o nariz com o lenço de cima para baixo, fechando o papel.
  6. Jogue o lenço no lixo.
  7. Lave as mãos ou use álcool em gel.

Faça junto, de frente para o espelho, você com o seu lenço e ela com o dela. Ajude o quanto for preciso, guiando a mão no começo, e retire a ajuda aos poucos, primeiro nos passos em que ela já está segura. Elogie na hora cada passo feito.

Algumas crianças aprendem mais rápido vendo um vídeo curto de outra criança assoando o nariz, repetido algumas vezes antes do treino. Videomodelação é uma das práticas com evidência do NCAEP.

E se ela não tolera o lenço no rosto?

Comece longe do nariz. Deixe a criança pegar, amassar e brincar com o lenço, depois encoste no braço, na bochecha e só então perto do nariz, um pouco mais perto a cada dia. Se ela afastar, volte um passo sem insistir.

Teste materiais diferentes. Há crianças que aceitam lenço de pano macio, toalhinha úmida ou lenço de papel com hidratante e recusam o papel comum. Deixar que ela mesma segure o lenço, em vez de você, também costuma reduzir muito a recusa.

Esse treino de dessensibilização exige paciência e constância, porque o progresso é lento e às vezes volta para trás num dia ruim. É uma situação em que muita mãe sente que está fazendo tudo errado, quando o que falta é um jeito organizado de seguir em frente aos poucos.

O Método C.A.S.A., da Escola do Autismo, mostra em vídeos curtos como dividir habilidades de autocuidado em passos, como usar a ajuda que vai sumindo e como registrar o progresso, com planilha de reforço e exemplos de rotinas como escovação e banho. É ABA simplificada para usar em casa e complementa a terapia com profissional, sem substituir.

Ver como o Método C.A.S.A. ensina autocuidado

Quanto tempo leva para aprender?

Depende da criança. Algumas aprendem em poucas semanas de brincadeira diária, e outras levam meses, principalmente quando a parte sensorial pesa. Treinar dois ou três minutos por dia rende mais do que um treino longo na hora do resfriado, quando o nariz já está irritado e a criança, cansada.

O melhor momento para treinar é quando ela está saudável e de bom humor. Na gripe, limpe o nariz por ela com delicadeza e deixe o treino para depois.

O que a ciência diz sobre ensinar autocuidado a crianças autistas

O relatório do NCAEP, publicado em 2020 pela Universidade da Carolina do Norte, revisou estudos de 1990 a 2017 e listou 28 práticas com evidência. Análise de tarefa, modelação, videomodelação, dicas e apoio visual estão entre elas e aparecem com frequência em estudos sobre habilidades de vida diária, como higiene e vestir.

A meta-análise de Ben-Sasson e colegas, publicada em 2009 no Journal of Autism and Developmental Disorders, encontrou diferenças de modulação sensorial maiores em autistas, tanto de reação exagerada quanto de pouca reação. Isso justifica começar pela tolerância ao lenço antes de cobrar a técnica.

A Nota Técnica nº 23/2025 do Conselho Federal de Psicologia lembra que todo ensino deve respeitar a criança e ser individualizado.

Quando procurar avaliação especializada

Procure o pediatra ou o otorrinolaringologista se o nariz vive entupido, se há ronco, respiração pela boca o tempo todo ou secreção que não melhora, porque pode haver uma causa física, como adenoide aumentada, dificultando o aprendizado.

Se a recusa sensorial é muito forte e atrapalha outros cuidados, como cortar unha, lavar o cabelo e escovar os dentes, um terapeuta ocupacional pode avaliar o processamento sensorial e ajudar no plano. Na rede pública, a porta de entrada é a Unidade Básica de Saúde.

Perguntas frequentes

Com que idade a criança aprende a assoar o nariz?

Não há uma idade fixa, e muitas crianças com desenvolvimento típico só aprendem depois dos 3 anos. No autismo pode demorar mais, e o que importa é o progresso no ritmo dela.

Meu filho autista só sopra pela boca. O que faço?

Use as brincadeiras do espelho embaçado e do papelzinho voando, que treinam o ar saindo só pelo nariz. Fechar os lábios dele com delicadeza por um segundo, como parte da brincadeira, ajuda no começo.

Ele odeia que eu limpe o nariz dele. É normal?

É comum em crianças com sensibilidade ao toque. Deixar que ela segure o lenço, avisar antes de encostar e testar materiais mais macios costuma diminuir a recusa.

Posso usar soro fisiológico no lugar de assoar?

O soro ajuda a limpar e é usado com orientação do pediatra, mas não ensina a habilidade. Os dois podem andar juntos.

Videomodelação funciona para isso?

Pode funcionar. Um vídeo curto de outra criança assoando o nariz, assistido algumas vezes antes do treino, é uma forma de modelação com evidência no NCAEP.

E se ela engolir a secreção em vez de assoar?

É comum enquanto a habilidade não está aprendida. Continue o treino de sopro pelo nariz e converse com o pediatra se houver tosse ou engasgo frequente.

Primeiro o sopro, depois o lenço

Ensinar uma criança autista a assoar o nariz começa longe do lenço, com bolhas, algodão e espelho embaçado. Quando o ar já sai pelo nariz e o papel já não incomoda, os sete passos viram rotina em frente ao espelho.

Se você quer um caminho organizado para ensinar essa e outras habilidades de autocuidado, com passos, reforço e registro, o Método C.A.S.A. foi feito para isso. Ele complementa a avaliação e a terapia com profissional, nunca substitui, e o artigo sobre autonomia no autismo traz outras habilidades para trabalhar em casa.

Conhecer o Método C.A.S.A.

Fontes e referências

  • Steinbrenner, J. R. et al. Evidence-Based Practices for Children, Youth, and Young Adults with Autism. National Clearinghouse on Autism Evidence and Practice (NCAEP), Universidade da Carolina do Norte, 2020. ncaep.fpg.unc.edu.
  • Ben-Sasson, A. et al. A meta-analysis of sensory modulation symptoms in individuals with autism spectrum disorders. Journal of Autism and Developmental Disorders, v. 39, p. 1-11, 2009. DOI 10.1007/s10803-008-0593-3.
  • American Psychiatric Association. Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fifth Edition, Text Revision (DSM-5-TR). 2022.
  • Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Censo Demográfico 2022: pessoas diagnosticadas com transtorno do espectro autista. Divulgado em 23/05/2025. Agência de Notícias IBGE.
  • Conselho Federal de Psicologia. Nota Técnica CFP nº 23/2025. transparencia.cfp.org.br.

Conteúdo produzido pela equipe editorial da Escola do Autismo com base nos documentos citados em Fontes. Não substitui avaliação, diagnóstico ou acompanhamento profissional. Última atualização: outubro/2026.

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